Anacrônico Antony Magalhães

Resenha: Anacrônico - Antony Magalhães

2.8.17Suzana Chaves Linhares



Olá leitores! Imaginem um Brasil bem diferente do que é agora, nossas florestas foram destruídas, o ar é tóxico, a temperatura é tão alta que seria capaz de torrar um humano. Seria possível viver em um local tão inóspito assim? Vem descobrir comigo, vamos conhecer Anacrônico, de Antony Magalhães.


Houve uma grande guerra, a única forma dos humanos sobreviverem nesse ambiente seria nas biópolis, cidades protegidas por redomas de vidros, onde o ar e água eram puros, cidades totalmente futurísticas. Você pode pensar que devia ser uma sociedade bem desenvolvida, em termos tecnológicos sim, mas em termos de indivíduos, a resposta é não.

A escravidão estava de volta, sem chibatas, mas com o mesmo tipo de humilhação ou até pior.Não era definida por cor da pele. Não podiam falar, nem olhar para seus "donos", tinham que ser invisíveis. Eram submetidos a vários tipos de abusos, o mercado de escravos era aberto e legal, existiam "fábricas" de escravos. 

Toda a história de verdade foi alterada pelo governo. Eles reescreveram até a Bíblia. Querem controlar até a fé das pessoas.

Diferente de seus donos, eles não podiam tomar pulsos, que eram comprimidos distribuídos pelo governo, esses pulsos eram responsáveis pelos sentimentos e atitudes: coragem, determinação, calma, compaixão e o que mais você imaginar.

É nesse contexto que vamos conhecer Maria, uma escrava com uma peculiaridade, tinha nascido com uma deficiência. No lugar do que seria um braço, foi implantado uma prótese que podia se moldar no que Maria quisesse. Ela trabalhava na casa de Marcos, um homem importante, dono da única rede de televisão da biópolis, ele comandava a massa com a sua influência. para muitos era um grande homem, mas apenas quem convivia com ele sabia o ser vil que era. E Maria era sua escrava preferida.

É uma cidade inteira. E também é uma floresta. As duas coisas naquele mesmo espaço. Em cada rachadura no chão ou nas paredes, há uma planta nascendo.

Vamos acompanhando Maria em seu cotidiano, até que um evento acontece e muda tudo. Maria percebe seu papel naquela história e começa a correr atrás de respostas, durante essa busca ela conhece outras pessoas que irão ajuda-la a encontrar o que procura e tentar mudar a sociedade em que vivem.

Anacrônico é um livro bastante interessante, temos um país bem diferente, onde tudo é controlado pelo governo. Quando digo tudo, inclui até a Bíblia. Mas, não é uma sociedade ideal, a intenção até foi essa, mas o bichinho da corrupção surgiu ali também. Mas, como uma sociedade poderia ser ideal quando existe escravidão? 

Lutamos por nossa liberdade e eu quero ficar com a minha... Se conseguirem armas, não esperem para matar.

Maria pensava ser diferente, pois era tratada como uma igual  durante sua infância. Mas ainda menina, começou a ver a podridão do ser humano, ela queria saber de suas origens e o porquê de estar ali naquela situação. Quando a venda sai de seus olhos, ela começa a perceber que não aguenta mais viver daquele jeito e vai para a luta. Nesse momento da história, surge uma nova pessoa, mais forte, destemida e se precisar matar alguém, ela fará.

Ao longo de sua jornada, laços de amizades são formados e Maria descobre outros tipos de sociedade fora da biópolis em que morava, é claro que nem todas são amigas e muitas vezes ele se vê diante do perigo e precisa salvar sua vida e dos amigos.

Gostei bastante da leitura, fiz diversas reflexões ao longo da mesma. Senti raiva e revolta durante alguns momentos da história, justamente por imaginar algo desse tipo acontecendo, chega a me dar arrepios só de imaginar. É uma leitura que prende a atenção, é bem dinâmica e reflexiva. 

Para quem gosta de distopias, Anacrônico é uma ótima dica de leitura.

Até a próxima!

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14 comentários

  1. Que posso dizer de Anacrónico, que foi escrito por uma mente futurista que nos faz antever o que pode acontecer num mundo que vai para além do real,mas que nos faz interrogar um futuro que nem está muito distante. Viver em Biopolis,não és livre ,mas também. Antony Magalhães teve a feliz ideia de querer sabet suas origens, o que havia para além das cidades como redomas de vidro. Maria ,pessoa fulcral para a descoberta de outros mundos, Maria aqui uma escrava que nasceu com uma deficiência, Maria que sofria,mas Maria de raça negra,não teve medo,e dentro de sua condição de escrava ela não baixa os braços,ela é a chave para a mudança e agora mesmo sendo ficção, o autor fez de Maria uma heroína e dá para por na mente de muitos,para onde estão nos levando,quando vamos ser livres e juntarmo-nos a Maria.

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    1. Olá Rosa! é uma história maravilhosa e impressionante, beijos!

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  2. Oi.

    Conheci este livro em ma outra resenha, pareceu ser bem interessante, não sei direito. Ainda estou indecisa se leio ou não. No momento não consigo mesmo lê-lo, já tenho muitas leituras para colocar em dia. Mas quem sabe quando eu tiver um tempo sobrando eu pegue o livro para ler.

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  3. Uau! Uma distopia nacional... Amei a premissa pq toca fundo em algumas feridas. Faz pensar que não importa a sociedade que criemos o ser humano é sempre corrupto e corrompivel, o que é mto triste.
    Parabéns ao blogs é ao autor.

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    1. Olá Jess! Infelizmente o bicho da corrupção corrói o ser humano, Beijos!

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  4. Não conhecia esse livro, mas fiquei bastante interessada nele. Parece ser bem o tipo de leitura que gosto.
    Adorei a resenha, me deixou curiosa demais.

    Beijos.

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  5. Oie amore,

    Dessa vez vou passar a dica, não me atraiu em nada.
    No entanto, sua resenha está uma delícia!
    Parabéns!

    Beijokas

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  6. Não conhecia a história, mas ela está dentro do que gosto de ler sendo uma distopia, vou por em meus desejados para quem sabe no futuro ter a oportunidade de ler. Obrigada pela dica.

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  7. Olá, tudo bem?

    A premissa é MUITO interessante, Su!
    E, não estamos muito longe de ver um mundo assim - no quesito natureza - se continuarmos no caminho que segue a humanidade, e eu nem duvidaria de todo o restante. Parece mesmo ser um livro muito bacana para se refletir. Confesso que não tinha visto nada sobre a obra até o momento, mas que realmente fiquei curiosa sobre o rumo desse enredo.

    Beijo!

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  8. Olá Suzana,
    Já li algumas resenhas desse livro e estou louca para fazer a leitura, pois a premissa em muito me agrada. Não li, até hoje, nenhum livro que apresenta uma com uma escrava com uma deficiência. A história parece ter sido muito bem trabalhada, o que é um ponto muito positivo. Outra coisa bacana é que o livro tenha te feito refletir.
    Dica anotadíssima.
    Beijos

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  9. Oie, eu confesso que não curto distopias, mas achei a premissa dessa bem interessante. Ao mesmo tempo que nos apresenta algo diferente também mostra elementos que existem no nosso tempo como a maldade humana e etc. E achei bem interessante o fato de se passar no brasil. Obrigada por essa dica.

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  10. Olá!

    Uau, gostei dessa distopia! Faz tempo que não leio uma, aceito sua sugestão com muito prazer. E esse dono da rede de TV, fiquei com medo dele desde já...

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  11. Oi tudo bem?
    Gosto muito de distopias, mas não conhecia essa! Amei se passar no Brasil e por tratar de temas delicados. O ser humano é mesmo muito mesquinho, pode se destruir e se reinventar mil vezes que vai sempre acabar corrupto e falido...
    Bjs!

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